Blogacha Maria
20040118
  blogachada para todos Quando começámos a escrever estas parvoíces fizemos entre nós uma aposta. Somos três adultos mas, mesmo assim, com algumas responsabilidades. Um de nós tem três crianças que pedem cerelac e os outros são professores universitários na clandestinidade. Era o que mais faltava se nos viam as trombas ou se dávamos o flanco especialmente por causa desta treta. Quisemos ver até que ponto é que aquilo que suspeitávamos era verdade. Que havia público para tudo. O que aqui escrevemos não passou de provocação patética e pateta. Alguma provocação com graça mas pouca. Pois, acreditem ou não, num só dia atingimos as 185 visitas (não sabemos se da mesma pessoa, se do mesmo computador). Mas a julgar pelos números, houve quem estivesse aqui especado a perder tempo e houve quem se desse ao trabalho de escrever pretendendo fazer-nos crer que o que escrevemos era bem humorado. Não é. É azedo e ácido. São críticas que pegam no óbvio e pouco mais.
A aposta consistia em garantir que iríamos, sem esforço algum da nossa parte, conseguir que nos viessem ler com reacções. Escusado será dizer que a aposta foi ganha. Sem mérito algum. A maioria das pessoas agradece o nosso humor segundo o argumento de que é fundamental sabermos rir de nós próprios. Rir de nós próprios?! Quando fizemos o nosso retrato físico (somos de facto avantajados!) estaríamos a rir de nós próprios ou apenas a fazer uma fuga para a frente? É que preferíamos ser magros e mais jovens e, para sermos honestos, não achamos piada quando alguém que nunca vimos mais magro (especialmente neste caso!) se atreve a gozar com esta nossa estranha forma de vida. Claro que não nos é difícil reconhecer que faz parte da hipocrisia média fazer de conta que sabemos rir de nós próprios. Já lá vai o tempo em que uma ofensa, um gozo idiota, era sentido como tal e produzia indiferença ou, no limite, um belo duelo. Já lá vai o tempo em que as pessoas sentiam e eram verdadeiras. Tempos estranhos os nossos que produzem tamanha carência, tamanha falta de pensamento sobre o que é realmente importante na vida. Eis a nossa triste aposta. Eis o triste resultado da nossa triste aposta.
Agora que já ganhámos quando de facto perdemos vamos à nossa vida de todos os dias.
 
20040114
  Blogachada arquitontada "3/3 Fernando Mondego, nom de plume de arquitecto coimbrão de 28 anos
Sou ávido consumidor de literatura, poesia (Pessoa, Herberto Helder, Al Berto...) e de música clássica (Bach, Brahms...). Pratico BTT, esgrima e Kart quando posso.
Vejo a arquitectura como uma arte e sou profundamente apologista disto; no pensar e no trabalhar rejo-me por este postulado. Gostava de me ver mais como um artista...
Nada mais, não gosto de olhar para aqui, para mim, gosto de olhar para aí, para fora. Gosto de ser o narrador omnisciente e não o narrado inconsequente. Tenho ditto FMondego"


Alto e pára o baile! Que o Fernando seja ávido, apologista e que se reja por um postulado, não nos parece nada mal. Agora, que o Fernando fale do gosto que teria em ver-se como artista para adiante revelar que não gosta de olhar para ele que é, ainda por cima, «narrador omnisciente». Bem. Bem. Beeeeeem. Fernando, arquitecto, pá, acreditamos em tudo o que nos contas excepto no teu sentido de humor. É que tanta ironia junta num só anúncio classificado leva-nos a pensar que também tu andas metido nos berlights do Homem.
 
  Blogachada Sísifica "ABERTOS PARA BALANÇO Neste ano de vida (mas terá sido só um ano?), vimos de tudo na blogosfera. A explosão do fenómeno, os picos mediáticos, os êxtases e as crises, mais as diatribes entre blogues políticos (primeiro com superioridade numérica da direita; agora a pender mais para o nosso lado), sempre com a guerra do Iraque como pano de fundo e a noção de que as divergências ideológicas, tanto no plano estritamente político como no económico ou cultural, voltaram a fazer sentido.
Foram longos, estes 365 dias. Outros 366 nos esperam em 2004. Cá estaremos, em cada um deles, para continuarmos este ofício de Sísifo. Um Sísifo carregador de palavras, prisioneiro por gosto da espuma dos dias.
Digam-nos apenas, caros leitores, se tanto esforço vale a pena. Publicado por Josísifo Mário na Selva em 04:00 PM"


Ora guardai este naco de prosa de um perfeito contabilista. Notável o espírito burocrático da criatura que correndo por gosto se esforça por nos fazer crer que a coisa lhe sai suada. Se o disparate pagasse imposto e o lugar-comum outro tanto, este Sísifo de trazer por blogue estaria com uma dívida colossal às costas. Certamente superior à força com que carrega a pedra para cima e para baixo. Porventura acreditais nestas patranhas? Porventura andará este também a fumar dos cigarros do Homem?
 
  Blogacha Pereira Afirmou Pereira que queimava livros e logo a blogoesfera ardeu em febre numa resposta pavloviana. Estava na cara que esta gente iria mandar-se ao ar, protestar, estranhar e... protespostar! O que ele goza connosco! O que ele deve rir disto tudo! No entanto, basta vê-lo na televisão para perceber por que motivo estes pequenos nadas o divertem tanto! Basta vê-lo e olhar para ele! Todos os gozos têm uma origem. Nós, por exemplo, somos ainda mais gordos que o Pereira, facto que nos trouxe até aqui. Como é natural! 
  Pedrosa's A escritora Inês Pedrosa é, toda ela, um blogue. Basta ouvi-la para perceber que tudo o que diz são posts tal o poder de síntese literário que a literata Inês possui. Hoje mesmo, em pleno ecrã (os erros ortográficos são-nos relativamente indiferentes mas, já agora, aproveita-se para explicar que a palavra ecrã não se escreve de outra forma que não seja esta. Porra!) mas onde é que nós íamos? Ah! No pleno ecrã a pequena Inês falava, falava e agora é que são elas! Perdemo-nos! Porque, tal como nos acontece com os posts de toda a espécie, acabamos inevitavelmente por adormecer ou rir ou nada. Donde, aqui ficam as nossas palavras de apreço para com o blogue de Inês Pedrosa.  
  Molly Bloom blogachada 2 «Sim tenho sorte mas a sorte não se tem constrói-se escolhe-se cultiva-se não se inventa a não ser nos bilhetes da lotaria a paz que tenho hoje foi conquistada a pulso e fruto de alguma luta interior na qual aprendi a dominar os meus fantasmas e continuo a lutar dia a dia como estou agora a fazer para conseguir distinguir entre o que é mesmo importante e o que é apenas circunstancial e efémero entre aquilo que quero e que me apetece entre a aparência e a essência das coisas»

Quem assina este post que ora se transcreve? 
  Molly Bloom blogachada 1 «vegetam por aí muitas pessoas sozinhas e profundamente desinteressantes achei que era mais uma tentativa para me iludir tenho visto que não estamos rodeados de gente como nós igual a nós com os mesmíssimos problemas mas que procuram a todo o custo mascarar a realidade de uma vida isolada com momentos perdidos sem regras e assim se cria a crença no vale tudo porque tudo é permitido a Luísa na sua loucura organizada como a defino acredita.»

Quem assina este post que ora aqui se transcreve? 
20040105
  Blogachada de um desconhecido espertalhão (se o Manuel Falcão é director da 2, por que não hás-de tu ir mais longe do que isto?) "Modo de vida Anteontem, o «JN» citou uma frase da minha crónica no «Correio» e descreveu-me assim: ‘Alberto Gonçalves, analista’. Estava lá, em página par e por cima de uma declaração de Jorge Costa, futebolista. Eu julgava que analistas são os sujeitos que trabalham em clínicas e lidam com sangue, urina e dejectos vários. Afinal, não: analista sou eu, que me limito a escrever umas opiniões sobre o Governo, os costumes pátrios ou o dr. Louçã. Se calhar, é mesmo a definição mais adequada. Por via das dúvidas, já mandei imprimir novos cartões de visita. // posted by agquem? @ 12:03 PM2

Agquem é esperto. Eis como ser exibicionista quase ao contrário. No entanto, há sempre três em cada um num entanto. A saber: 1. Quem és tu, ó Alberto Gonçalves? 2. De que “Correio” falas? 3. No dia em que tiveres dois apelidos, largas os blogues, escreverás no Expresso e não mais perguntaremos quem és tu, Alberto? (só por mera curiosidade... mas tu fumas?)
 
  Blogachada edipiana "Fama Um pequeno post para agradecer as visitas de ontem provocadas pela publicidade da minha Mãe. Deu a conhecer o endereço do blog e logo me vejo reconhecido e me sinto honrado por ganhar atenções diversas. Ocupar algum tempo de inteligencias plurais... Agradeço também os votos de felicidade e de uma boa paternidade.
Posted by: Nuno / 10:42"


O Nuno é um cool edipiano que agradece à mãe, aquilo a que chama Fama. Já não nos bastavam as mães dos Big Brothers, as mães dos Ídolos e a mãe dos Portas para ainda termos as mães da blogoesfera. Nuno, amigo, diz à tua mãe que estamos todos com ela e que acreditamos que hás-de sair da casa como um vencedor. Acreditamos em ti porque és dono de uma inteligência parecida com a nossa... plural! (já agora... andas a comprar tabaco ao Homem?)

nota: perdemos o link do Nuno. Sentimo-nos, como dizê-lo? Devastados!
 
  Blogachada possidónia (este trocadilho saiu-nos fácil de mais!) "CASTELO RODRIGO Já o disse várias vezes: Portugal só poderá crescer de dentro para fora. D. Sebastião nunca mais vai voltar, por isso já era tempo de crescermos e começarmos a fazer em vez de lamentar.
Das Beiras, mais precisamente de Castelo Rodrigo, chega-me o convite e a notícia de um projecto ficcional. Algo que se pretende alargado e ao mesmo tempo sem soltar os pés do solo que lhe deu começo. Um abraço e votos de felicidades para os promotores do Cantinho. Sabendo que um canto é por definição, o Universo às avessas ;) - posted by possidonio @ 3:31 PM"


Sem dúvida, Possidónio. Estamos aqui para confirmar que já o disseste várias vezes. Portugal dificilmente poderá crescer de fora para dentro o que nos leva à questão da Dinâmica apresentada pela Ana Atrevida na Feira da Ciência. Quanto ao D. Sebastião... lamentamos informar-te mas o gajo vai mesmo voltar com um blog parecido com o teu. No fundo, escrever é como correr e verificar que no último quilómetro, de tanto escrever, já temos os pés em sangue. Uma espécie de mundo às avessas que, por definição é o Universo. Possidónio, pá, tu fumas da mesma senaita que o Homem?
 
  Blogachada que nunca mais acaba "Fonte inesgotável (ou da serena alegria) A amizade é uma força distributiva, persistente e durável, a que é estranha qualquer exigência exclusivista ou tentação invasiva da liberdade alheia. Só é possível entre seres livres e iguais, completos na sua busca de realização, conhecimento e satisfação. A partilha de tempo, de experiências e de afecto não tem o menor laivo de controlo sobre a vida dos outros, mas aumenta a nossa capacidade de crescimento e, por consequência, a segurança interior com que nos conduzimos pelo mundo. A amizade é uma poderosa fonte geradora de auto-estima, ao contrário do amor-próprio: a primeira ajuda-nos a ver o que queremos de nós, o segundo dita-nos exigências sobre os outros. Vê-se claramente no centro da alma. - Ana Atrevida, 10:42 AM"

A Ana Atrevida deste mês deixa-nos sem palavras. O seu “paper” sobre a dinâmica da amizade é tão interessante como o cálculo da energia cinética em movimento que, conforme sabeis, é também uma variante da amizade mas do ponto de vista da variação da velocidade de um corpo sob o concurso de forças externas ou extremas que representam o esforço para conter as lágrimas de tanto rir enquanto te lemos. Já o amor-próprio, pode-se afirmar, não passa de uma energia potencial. Percebem? Ou não passará tudo de uma função que só depende das coordenadas? E isso onde é que se vê? Ora, de forma claramente vista no centro da alma o que curiosamente nos leva ao problema do gajo que fuma enquanto o taco da alma lhe falta no chão. Escusado será acrescentar que tudo isto se passa sem “o menor laivo de controlo”. Como se não desse para perceber que andam todos a dar-lhe com força nos berlights! E daí a serena alegria...
 
20040103
  à terceira blogacha do dia, Deus criou este gajo?

"um taco da tua alma será sempre suficiente para compor o meu chão. # posted by Homem : 1:30 PM"

Fora eu a alma a que te referes e dir-te-ia, caro Homem, que estás a precisar, com alguma urgência, de um chão flutuante. "Um taco"?! "da tua alma"?! Quem assim escreve fuma cigarros de que marca? Está tudo bem contigo, pá? Companheiro, o produto não vinha em condições? Se pudermos ser úteis, avisa! Não estamos aqui para outra coisa, senão para reparar como a tua prosa é mel para as borboletas quentes que te escrevem para trocar números antigos da modas&bordados, claro! Ensina-nos a ser assim como tu. Homem que é homem ajuda outros homens.  
  a segunda blogacha deste dia "CASA PIA. De repente, toda a gente sabe onde estava no dia tal, e que o dia tal era o dia em que aconteceram tais coisas. Não é extraordinário? # posted by foda-se! @ 1:17 PM"

Sem dúvida, caro foda-se! que é extraordinário. Ao menos este tipo, que, conforme se reconhece pelo chapéu negro de abas largas, é judeu da cabeça aos pés, sabe que @ essa hora, @ esse dia estava sentado a destilar baba de hiena desta forma. Foda-se! foda-se, só este teu post já dá uma grande reportagem!

 
  A primeira blogacha maria do dia "É muito difícil explicar o que se passa na nossa cabeça. E é por isso que se alguém me diz que gosta de alguma coisa, avalio quem o diz e não o que diz, que é pouco. Um bocadinho como as opiniões. // posted by Micaela @ 12:27 AM"

Sem dúvida, Micaela, que é muito difícil explicar o que se passa na nossa cabeça. Por exemplo, quando lemos este post ficámos a avaliar quem o escreveu e não o que foi escrito. O que deve ser pouco! Bem... um bocadinho como as opiniões. De resto, Sandra Kárina, o teu blog é dos menos blogachas da blogachóoooesfera. Num tom leve e simultaneamente pesado, Carla Andreia assina essa coisa de referência diária ao marido. A sobrinha de Ágata é senhora de uma escrita desenvolta, arejada e não se cansa de nos lembrar que anda às voltas com uma tese dando-nos a entender que não é uma tonta qualquer mas antes uma tonta licenciada. Carla Almeida, natural da Bobadela, 33 anos, morena, magra, gosta de crianças, ama a natureza, gostaria de ser psicóloga, o seu maior desejo é que a paz no mundo se torne uma verdadeira constante. O Japão e o Vaticano são as suas referências. Mais papista que o papa, elege «o meu pipi» como sendo o dela. Espera-se o dia em que venha a ser mestre.  
  Triunfo, nacional ou marca branca? Igredientes: farinha e farinheira, gordura vegetal e animal, soro de leite em pó, levedantes químicos, bicarbonato de amónio, wc pato, fermento em pó real. Consumir de preferência antes do fim. Conservar em lugar fresco e seco. Fabricado por só nós dois é que sabemos. Coleccione as provas de compra e habilite-se ou limite-se a escrever as baboseiras que costuma escrever que terá palavras de apreço e conforto.  
Abrir por aqui --> 180g 6.3oz blogachamaria@hotmail.com Blogacha de intenções: 1. Prometemos escrever posts. 2. Prometemos ser muito críticos. 3. Prometemos ser muito poéticos. 4. Prometemos comer as gajas que para aqui andam à espera de serem comidas. 5. Prometemos comer os gajos que para aqui andam à espera de serem comidos. 6. Prometemos ser rigorososamente iguais a todos vocês que somos nós. 7. Prometemos dar todas as explicações que não nos sejam solicitadas. Incluindo isso.

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200401 /

O que é Nacional é anormalmente muito bom



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